UFSC inicia pesquisa sobre uso de canabidiol em crianças com autismo em Florianópolis

19/02/2026


Projeto EsperanTEA avalia impactos do óleo de CBD em meninos com TEA e prevê acompanhamento por seis meses


Uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina, a Associação Brasileira de Cannabis Medicinal e o mandato da vereadora Carla Ayres deu início a um estudo em Florianópolis para avaliar o uso de canabidiol em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Batizada de Projeto EsperanTEA, a pesquisa busca analisar se o óleo de CBD — substância sem efeito psicoativo — pode contribuir para o bem-estar, comportamento e rotina de meninos com autismo que apresentam ansiedade, irritabilidade, agitação ou dificuldades de interação social.

Como será conduzido o estudo

O projeto será realizado com meninos entre 7 e 9 anos diagnosticados com TEA, que estejam clinicamente estáveis e tenham um responsável legal apto a acompanhar todas as etapas da pesquisa.

O acompanhamento terá duração de seis meses, com monitoramento contínuo, supervisão médica e visitas periódicas ao campus da UFSC, no bairro Trindade. De acordo com a organização do projeto, famílias em situação de vulnerabilidade social terão prioridade na seleção, ampliando o acesso à pesquisa científica de forma ética e responsável.

As inscrições permanecem abertas até 20 de janeiro e devem ser feitas por meio de formulário online.

Doação de óleo viabiliza pesquisa

Para a realização do estudo, a Santa Cannabis irá doar 120 frascos de óleo à base de cannabis. A iniciativa conta com apoio legislativo da vereadora Carla Ayres, autora de dois projetos de lei relacionados ao tema no município.

Um dos projetos propõe a criação de uma política municipal de incentivo a pesquisas sobre os usos da cannabis. O outro trata do uso medicinal e da possível distribuição gratuita de medicamentos derivados da planta nas unidades de saúde vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Florianópolis.

Expectativas e debate em saúde pública

Representantes das instituições envolvidas destacaram a relevância do estudo para o debate sobre saúde pública e acesso a tratamentos.

Carla Ayres afirmou que se trata de "um assunto indispensável no debate da saúde pública, universal e de qualidade" e que "o EsperanTEA mostra à sociedade catarinense como a ciência precisa orientar as políticas de saúde pública".

Pedro Sabaciauskis, presidente da Santa Cannabis, declarou que o projeto 

"é mais um importante passo para que a cannabis medicinal seja de fácil acesso para todas as pessoas".

Já Rodrigo Moretti, vice-diretor do Centro de Ciências da Saúde da UFSC, ressaltou que a pesquisa poderá trazer 

"resultados importantes, tanto às famílias em si, como para essa discussão de políticas públicas em saúde".

Com a iniciativa, a expectativa é ampliar o conhecimento científico sobre o uso do canabidiol no contexto do TEA e contribuir para futuras discussões sobre regulamentação e acesso a tratamentos no Brasil.


Fonte: visornoticias.com.br





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