Nova categoria de “autismo profundo” entra em debate e levanta discussões sobre inclusão e apoio

17/03/2026


Proposta apresentada por especialistas busca ampliar o suporte a pessoas com maiores necessidades, mas também gera questionamentos


Uma nova classificação dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem gerado discussões entre especialistas, pesquisadores e famílias. Trata-se do chamado "autismo profundo", conceito proposto por um grupo internacional reunido pela revista médica The Lancet.

A ideia central é identificar pessoas autistas com necessidades mais intensas de suporte, especialmente aquelas que demandam acompanhamento contínuo e apresentam maiores desafios de comunicação e cognição.

O que define o chamado "autismo profundo"

De acordo com a proposta, a categoria de "autismo profundo" inclui pessoas que apresentam pouca ou nenhuma forma de comunicação — seja ela falada, escrita, por sinais ou com o uso de dispositivos — além de um QI inferior a 50.

Outro ponto destacado é a necessidade de supervisão constante, com apoio ao longo de 24 horas por dia. A classificação seria aplicada principalmente a crianças a partir dos oito anos, fase em que as habilidades cognitivas e de comunicação tendem a estar mais consolidadas.

A criação dessa categoria tem como objetivo facilitar o planejamento de políticas públicas e serviços especializados, garantindo que pessoas com maiores necessidades não sejam negligenciadas.

Proposta gera debate entre especialistas e famílias

Apesar da intenção de ampliar o suporte, a proposta não é consenso. Um dos principais argumentos favoráveis é que a nova classificação pode ajudar a direcionar recursos, pesquisas e políticas específicas para esse grupo.

Por outro lado, críticos apontam possíveis efeitos colaterais. Entre as preocupações levantadas está o risco de que pessoas autistas que não se enquadram nessa categoria passem a ser vistas como menos prioritárias, o que poderia impactar o acesso a serviços e benefícios.

O debate reflete um desafio recorrente na área: como equilibrar a identificação de diferentes níveis de necessidade sem criar exclusões.

Estudo aponta percentual significativo de casos

Pesquisas recentes também têm buscado entender o impacto dessa possível classificação. Em um estudo realizado com dados de 513 crianças autistas avaliadas entre 2019 e 2024, cerca de 24% atendiam ou estavam em risco de atender aos critérios de "autismo profundo".

Os dados também indicaram que 49,6% dessas crianças apresentavam comportamentos que representavam risco à segurança, como tentativas de fuga, enquanto entre outras crianças autistas esse percentual foi de 31,2%.

Além disso, os desafios comportamentais não se restringem a esse grupo específico. O levantamento apontou que 22,5% das crianças autistas apresentavam comportamentos de automutilação, e 38,2% demonstravam agressividade em relação a outras pessoas.

Os resultados reforçam que, independentemente da classificação, o autismo envolve uma ampla diversidade de perfis e necessidades, o que mantém o debate aberto sobre a melhor forma de oferecer suporte adequado a cada indivíduo e sua família.


Fonte: www.uol.com.br





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